No artigo desta semana, queremos focar-nos num assunto relativamente recente no mercado angolano: os Fundos de Investimento.

Os Fundos de Investimento são patrimónios autónomos, pertencentes a um conjunto de pessoas colectivas e individuais, designadas participantes, sem personalidade jurídica própria, e geridos por entidades especializadas com vista à valorização e rentabilização do património dos participantes.

Nos últimos tempos, temos observado a sua crescente inserção no mercado angolano, acompanhando o desenvolvimento do mercado de capitais e o aumento da diversificação dos instrumentos disponíveis, o que consequentemente amplia também as possibilidades de distribuição do risco.

Estes fundos caracterizam-se, de forma geral, em duas categorias:

  • Fundos de Investimento Mobiliário: aqueles que recolhem recursos junto dos participantes e os aplicam em valores mobiliários e outros activos financeiros, como acções, depósitos a prazo, títulos de dívida pública, obrigações corporativas e outros instrumentos;
  • Fundos de Investimento Imobiliário: aqueles que recolhem recursos junto dos participantes e os aplicam predominantemente em activos imobiliários, como imóveis e outros activos relacionados com o sector.

Com vista à contextualização, em Angola os Fundos de Investimento Mobiliário constituem uma realidade relativamente recente, tendo em conta a juventude do nosso mercado de capitais e o processo de desenvolvimento dos instrumentos financeiros disponíveis.

O primeiro mercado de registo de títulos do Tesouro surge em 2015 junto da BODIVA, representando um marco importante para a evolução do mercado e para o desenvolvimento de transacções correntes sobre valores mobiliários.

Já os Fundos de Investimento Imobiliário poderão ter uma presença anterior, sobretudo por estarem associados a uma actividade de gestão patrimonial que historicamente contou com maior participação de instituições com estruturas organizadas e acesso a património, como os bancos.

Neste segmento, encontramos também fundos com diferentes modalidades de subscrição e funcionamento, incluindo fundos de subscrição fechada, cujo funcionamento explicaremos nos próximos pontos.

FORMA DE REMUNERAÇÃO

  • Por rendimento: a remuneração por rendimento ocorre quando os rendimentos provenientes das aplicações do fundo são distribuídos aos participantes de acordo com a periodicidade e as condições estabelecidas na política do fundo.
  • Por capitalização: nesta modalidade, os ganhos são reflectidos na valorização das unidades de participação detidas pelo participante. O resultado para o investidor poderá ocorrer através da diferença entre o valor de aquisição e o valor pelo qual a unidade é posteriormente resgatada ou alienada.

Os fundos podem ser fechados, com um período definido para subscrição e, após esse período, sem possibilidade de novas subscrições, tendo também um período de existência determinado.

Como podem ser abertos, permitindo novas subscrições e resgates de acordo com as condições estabelecidas, podendo ter prazo determinado ou indeterminado.

FUNDOS DE MAIOR RENDIMENTO DO MERCADO

De momento, o mercado angolano apresenta uma oferta diversificada de Fundos de Investimento. Para efeitos desta análise, limitaremos a nossa observação a apenas três exemplos.

Com a Standard Gestão de Activos, encontramos fundos que apresentam algumas das maiores valorizações observadas no mercado de capitais angolano, com rendimentos próximos ou superiores a 50%, ambos com a mesma modalidade de remuneração, conforme apresentado abaixo.

FUNDO FECHADO

Fundo Standard Rendimentos

Criação → 15 de Março de 2024 Vencimento → 15 de Março de 2027 Forma de remuneração → Capitalização Valor da UP → 50.000 Kz Subscrição inicial → 250.000 Kz Valorização do período → 63,53%

FUNDO ABERTO

Fundo Standard Obrigações

Criação → 14 de Junho de 2024 Vencimento → Indeterminado Forma de remuneração → Capitalização Valor da UP → 50.000 Kz Subscrição inicial → 100.000 Kz Capitalização do período → 46,87%

Temos também o BFA Rendimento Flex, afecto à BFA Gestão de Activos, com uma capitalização aproximada de 27,3% desde a sua criação, apresentando uma gama diversificada de instrumentos e uma estrutura de acessibilidade relevante.

FUNDO ABERTO

Fundo BFA Rendimento Flex

Criação → 28 de Fevereiro de 2025 Vencimento → Indeterminado Forma de remuneração → Capitalização Valor da UP → 1.286,53 Kz Subscrição inicial → 200.000 Kz Capitalização do período → 27,3%

ENTRE FUNDOS DE INVESTIMENTO E ACÇÕES: QUAL O MELHOR INSTRUMENTO PARA INVESTIR?

Na verdade, estamos perante instrumentos diferentes, tanto na sua composição como no seu funcionamento, o que nos leva a fazer uma análise descritiva sobre ambos.

As acções representam partes do capital de uma empresa. Quando se compra uma acção, o investidor passa a deter uma participação no capital social da empresa, podendo beneficiar da distribuição de lucros através de dividendos.

Por outro lado, também pode obter ganhos através da valorização da própria acção. Caso o investidor decida vender a sua posição, poderá fazê-lo por um valor superior ou inferior ao preço de aquisição, dependendo das condições de mercado.

Os dividendos são, portanto, uma das formas de remuneração esperadas, embora a sua distribuição não seja garantida. A empresa pode não apresentar lucros, registar perdas ou decidir não distribuir resultados, factores que acabam por influenciar directamente a remuneração dos accionistas.

Já os Fundos de Investimento são geridos por uma entidade especializada, no âmbito de um Organismo de Investimento Colectivo (OIC), que estabelece as políticas de investimento e gestão do fundo, bem como as condições relacionadas com as Unidades de Participação (UP), subscrição, resgate e demais características do instrumento.

Os Fundos de Investimento surgem, neste contexto, como um mecanismo de diversificação do risco, procurando reduzir a exposição associada à concentração do capital num único activo ou num conjunto reduzido de activos com comportamentos semelhantes.

Quando os activos apresentam diferentes níveis de correlação, a combinação entre eles pode contribuir para reduzir a volatilidade global da carteira.

É precisamente esta uma das principais ideias presentes na teoria moderna do portefólio.

MAS E EM TERMOS DE CRESCIMENTO E REMUNERAÇÃO, COMO PODEMOS AVALIAR?

Neste momento, não nos podemos abster desta comparação. Contudo, iremos considerar apenas a capitalização dos instrumentos, sem levar em conta o eventual pagamento de dividendos pelas acções nem outras formas de remuneração que alguns fundos possam apresentar.

Escolhemos para caso de análise as acções do BCGA e o Fundo Standard Obrigações (FSO), o critério de escolha não foi aleatório isto porque o FSO, é o fundo aberto com maior rendimento e por ser indeterminado, logo não temos um fim conhecido e pelo método de remuneração ser a capitalização e o BCGA, é um dos fundos que tem evoluído no seu ritmo e também com o menor cupão pago na ultima distribuição de lucros, o que representa de forma próximo quase que apenas a capitalização como factor de análise

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Como podemos observar no gráfico acima, o contraste em termos de variação entre os dois instrumentos, durante um período de aproximadamente dois anos, foi bastante evidente.

Ambos apresentaram crescimento em determinados momentos, mas a taxas diferentes. Em todo o caso, a variação a que as acções estão sujeitas mostrou-se significativamente mais acentuada quando comparada com o comportamento do Standard Obrigações.

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Na tabela acima, temos os preços históricos de cada instrumento, permitindo-nos observar o desempenho de ambos em termos de valor.

Por outro lado, a capitalização de cada instrumento foi calculada considerando como data de aquisição o dia 14 de junho de 2024 e como data de vencimento, resgate ou venda dos activos o dia 30 de junho de 2026.

Como podemos observar, o Fundo Standard Obrigações apresentou um crescimento significativamente superior ao das acções do BCGA no período em análise, representando um ganho considerável, sobretudo quando observamos a menor amplitude das variações registadas pelo fundo em comparação com as acções.

As acções do BCGA, por sua vez, apresentam uma dinâmica bastante diferente, marcada por movimentos de valorização e desvalorização mais acentuados ao longo do período.

Logo, trata-se de instrumentos diferentes, com abordagens diferentes e, em todo o caso, negócios diferentes, com características diferentes.

A questão, portanto, não deve ser simplesmente qual instrumento é melhor.

Deve ser qual instrumento melhor se adequa ao objectivo, ao horizonte temporal e à tolerância ao risco de cada investidor.

É nesta diferença que reside a importância de conhecer o mercado e as alternativas que este começa a disponibilizar.

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