Os rendimentos denominados em dólares ou noutras moedas estrangeiras despertam naturalmente a atenção dos investidores, sobretudo em economias onde a moeda local está sujeita a períodos de desvalorização e perda de poder de compra.
Para além da sua capacidade de gerar rendimento, os activos denominados em moeda estrangeira podem representar uma importante componente de diversificação e preservação patrimonial.
MAS, AFINAL, PARA QUE SERVEM REALMENTE AS OT-ME?
As Obrigações do Tesouro em Moeda Estrangeira (OT-ME) possuem uma característica particular no mercado de capitais angolano: permitem ao investidor obter exposição a activos denominados em moeda estrangeira, com os respectivos fluxos financeiros pagos em dólares, de acordo com as condições de cada emissão, esta característica ganha relevância num país cuja economia possui forte dependência de importações.
A evolução do câmbio influencia os preços, os custos e o poder de compra. Por isso, para determinados investidores, manter parte do património exposto a moeda estrangeira pode representar uma forma de diversificar o risco associado à moeda doméstica, é precisamente aqui que as OT-ME assumem importância.
Não porque eliminem o risco, mas porque permitem diversificar a exposição monetária do património.
NA VISÃO DA CAMEL PARTNERS, O QUE É IDEAL?
Antes de tudo, importa esclarecer que este artigo possui carácter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui aconselhamento, recomendação ou consultoria de investimento, a diversificação continua a ser uma das principais ferramentas de gestão de risco. Não significa simplesmente possuir vários activos, mas distribuir o património por instrumentos com características diferentes.
No actual contexto económico, os activos denominados em dólares podem representar uma oportunidade de diversificação para investidores preocupados com a preservação do valor do seu património perante movimentos cambiais, os rendimentos das OT-ME são pagos em dólares, com periodicidade semestral, conforme as condições de cada emissão.
Mas surge uma questão: Se o câmbio Kwanza–Dólar parece relativamente estável, onde está o ganho?
A resposta está em compreender que a rentabilidade de uma OT-ME não depende exclusivamente do câmbio.
O PREÇO DA OBRIGAÇÃO TAMBÉM IMPORTA
Uma OT-ME não deve ser analisada apenas pelo seu valor nominal, embora o valor nominal possa ser, por exemplo, USD 1.000, o título pode ser negociado no mercado secundário acima ou abaixo desse valor, quando adquirido abaixo do valor nominal, o investidor pode beneficiar não apenas dos cupões, mas também da valorização potencial até à maturidade, caso mantenha o título até ao vencimento e se cumpram as condições previstas.
Recentemente, por exemplo, observámos movimentos como:
Uma redução do preço de aquisição pode, em determinadas condições, aumentar a yield até à maturidade do investimento, é importante, contudo, não confundir esta oportunidade com ausência de risco. O preço de uma obrigação pode variar em função das condições de mercado, liquidez, taxas de juro, percepção de risco e procura pelo título.
E QUANDO O CÂMBIO SE MOVIMENTA?
Se o kwanza se depreciar face ao dólar, os activos e fluxos denominados em dólares poderão representar um valor superior quando convertidos para kwanzas, mantendo-se as restantes variáveis constantes, se, pelo contrário, o kwanza se apreciar, o efeito poderá ser inverso, por isso, a exposição cambial representa simultaneamente uma oportunidade e um risco, investidor deve compreender esta relação antes de tomar qualquer decisão.
No fundo, os movimentos do mercado só produzem impacto económico para quem possui uma posição exposta a esses movimentos. Caso contrário, o investidor permanece apenas como espectador da euforia ou do pessimismo do mercado.
OT-ME: RENDIMENTO E DIVERSIFICAÇÃO PATRIMONIAL
As OT-ME representam, portanto, mais do que uma simples alternativa de rendimento, podem constituir uma componente de diversificação monetária e patrimonial, permitindo ao investidor obter exposição a fluxos financeiros denominados em dólares dentro do mercado de capitais angolano, mas é fundamental olhar para o investimento de forma integrada:
Quanto custa o título? Quanto paga de cupão? Qual é a sua maturidade?
Qual é a sua yield? Qual é a exposição cambial? E qual é o risco assumido?
São estas perguntas que transformam informação em análise.
O kwanza é a moeda do nosso dia-a-dia. O dólar representa uma importante variável externa para a economia angolana, entre os dois existe um mercado em constante movimento, quando falamos de investimentos, não basta observar o movimento, é preciso compreender o que o move, porque com informação sabemos o que aconteceu, com análise, tomamos decisões.
E o resto, só o tempo nos dirá.
Camel Partners — Parceiros no crescimento, valor que perdura.