O sonho de qualquer investidor é investir e obter ganhos expressivos. No entanto, oportunidades capazes de proporcionar retornos extraordinários são raras em qualquer mercado e tornam-se ainda mais difíceis de alcançar quando falamos de investidores com um perfil de risco conservador.

Para este tipo de investidor, a prioridade não está necessariamente em maximizar o retorno a qualquer custo. Está, antes de tudo, em gerir o risco, preservar o capital investido, assegurar alguma previsibilidade dos fluxos financeiros e manter a liquidez necessária para responder às suas necessidades. É precisamente aqui que começa o caminho do conservador.


PRESERVAR NÃO SIGNIFICA DEIXAR O DINHEIRO PARADO

Existe uma ideia frequentemente associada ao perfil conservador: a de que preservar capital significa simplesmente manter o dinheiro parado ou colocá-lo numa aplicação de baixo risco.

Mas preservar capital é muito mais do que isso. Preservar capital significa procurar proteger o património contra perdas desnecessárias e, simultaneamente, assegurar que este mantém a sua capacidade de gerar rendimento ao longo do tempo. Para isso, o investidor deve considerar não apenas o retorno nominal de um investimento, mas também factores como o risco de crédito, risco de mercado, liquidez, prazo, inflação e previsibilidade dos fluxos financeiros. Em outras palavras, o investidor conservador não é necessariamente aquele que procura pouco rendimento. É aquele que procura rendimento sem assumir riscos que não sejam adequadamente compensados.

No mercado de capitais, esta distinção é fundamental.


A BODIVA NÃO É APENAS UM MERCADO DE ACÇÕES

Quando se fala actualmente da BODIVA, é comum que a primeira associação seja feita ao investimento em acções.

O crescimento e a maior visibilidade do mercado accionista contribuíram naturalmente para essa percepção. Contudo, a BODIVA possui uma estrutura muito mais ampla. Grande parte da história do mercado de capitais angolano está directamente ligada à negociação de títulos de dívida pública, instrumentos que durante muitos anos constituíram uma das principais alternativas de investimento para os participantes do mercado. E é precisamente nesta diversidade de instrumentos que o investidor conservador encontra espaço para construir uma estratégia de preservação de capital.


Mas surge então uma questão legítima:

Se os investidores já conhecem os títulos disponíveis no mercado, o que pode haver de novo na abordagem da Camel Partners?

A resposta está menos na existência dos instrumentos e mais na forma como estes são analisados e utilizados dentro de uma estratégia de investimento.


O CONSERVADOR PROCURA RENDIMENTO, MAS COMEÇA PELO RISCO

Investidores mais experientes tendem a olhar para o mercado não apenas pela perspectiva do retorno potencial, mas principalmente pela capacidade de preservar o património ao longo do tempo, num ambiente em que a inflação pode reduzir o poder de compra da moeda, manter o capital nominalmente intacto não significa necessariamente preservar o seu valor económico, se um investidor mantém 10 milhões de kwanzas sem qualquer remuneração durante um determinado período, poderá continuar a possuir os mesmos 10 milhões em termos nominais. Contudo, se durante esse período os preços dos bens e serviços aumentarem significativamente, o poder de compra desse capital será inferior.


É por isso que a preservação de capital deve ser analisada também em termos reais, isto é, considerando o efeito da inflação sobre o património, mas existe ainda outra dimensão importante: a liquidez. Nem todos os investidores têm o mesmo horizonte temporal. Alguns procuram rendimento para necessidades de curto prazo; outros pretendem construir património para o médio e longo prazo. A estratégia adequada, portanto, não deve considerar apenas quanto um activo remunera, mas também quando o investidor recebe os seus fluxos financeiros e em que condições consegue transformar o activo novamente em liquidez.


CUPÕES: RENDIMENTO PERIÓDICO E PLANEAMENTO DE LIQUIDEZ

É neste ponto que os títulos de dívida negociados na BODIVA podem assumir particular relevância para determinados investidores, os títulos de dívida podem proporcionar fluxos financeiros periódicos através do pagamento de cupões, permitindo ao investidor planear os seus rendimentos de acordo com o calendário de pagamentos de cada instrumento, para um investidor que procura previsibilidade, este aspecto pode ser particularmente relevante.

Actualmente, existem títulos no mercado que se encontram próximos das respectivas datas de pagamento de cupão, para o investidor que adquire o título antes da data relevante para o pagamento do cupão, é fundamental compreender as condições de negociação, a data de corte e os direitos associados ao instrumento, uma vez que a elegibilidade para o recebimento do cupão depende das regras aplicáveis à operação e ao título.


Entre os títulos que apresentam pagamentos de cupão em períodos próximos, podemos destacar:

  • OJ15I31A — Novembro;
  • OJ08M30A e OL15M32A — Setembro;
  • OJ10M28A e OL07A30A — Outubro.


O ponto central, contudo, não está simplesmente em identificar quais títulos pagarão cupões nos próximos meses, está em compreender quanto custa adquirir o activo, qual o rendimento efectivo que pode proporcionar, qual o prazo até à maturidade, quais os fluxos financeiros esperados e qual o risco associado à posição assumida.


QUANDO A REMUNERAÇÃO PASSA A SER UMA VARIÁVEL ESTRATÉGICA

Outro elemento que merece atenção é a remuneração implícita nos títulos disponíveis no mercado.

Em determinados momentos, podem ser encontradas oportunidades com yields atractivas, especialmente quando comparadas com outras alternativas de investimento disponíveis na economia, naa última semana analisada, por exemplo, alguns títulos apresentavam rendibilidades até à maturidade particularmente interessantes.


Entre os instrumentos que se destacaram na nossa análise encontram-se:

  • OL01U31A — cerca de 19,09% de yield até à maturidade;
  • OL07A30A — cerca de 20,20%, destacando-se como a maior remuneração da nossa selecção;
  • OJ10M28A — cerca de 19,31%;
  • OO01I34A — cerca de 19,06%.


Estes números, porém, devem ser interpretados correctamente, uma yield até à maturidade de 20,20%, por exemplo, não significa que o investidor receberá necessariamente 20,20% em dinheiro todos os anos. A YTM representa uma medida de retorno anualizado estimado, considerando o preço de aquisição, os fluxos de cupão e o valor recebido na maturidade, assumindo determinadas condições, incluindo a manutenção do título até ao vencimento, esta distinção é fundamental para evitar que o investidor confunda taxa de cupão com rendimento efectivo do investimento.


O VERDADEIRO CAMINHO DO CONSERVADOR

O mercado de capitais pode, portanto, oferecer muito mais do que uma simples alternativa para quem procura valorização através de acções, para o investidor conservador, a construção de uma carteira pode passar pela combinação de diferentes instrumentos, prazos e fluxos financeiros, procurando equilibrar preservação de capital, rendimento, liquidez e risco, é esta combinação que transforma a simples compra de um título numa verdadeira estratégia de investimento, o objectivo não deve ser simplesmente encontrar o activo que paga mais, deve ser encontrar o activo que melhor se adequa ao objectivo do investidor, ao seu horizonte temporal, à sua necessidade de liquidez e ao nível de risco que está disposto a assumir. Porque preservar capital não significa renunciar ao rendimento, significa não colocar o capital em risco sem uma razão económica suficientemente forte para o fazer.


A BODIVA mostra-nos que mesmo dentro de uma abordagem conservadora existem diferentes possibilidades para remunerar o património, estruturar fluxos de caixa e procurar proteger o poder de compra do capital ao longo do tempo, no final, o caminho do conservador não é o caminho de quem procura simplesmente ganhar menos, é o caminho de quem entende que, antes de procurar multiplicar o capital, é preciso saber preservá-lo.


Camel Partners — Parceiros no cresimento, valor que perdura.